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A adoção generalizada do uso da IA (Inteligência Artificial) e a rápida evolução dos Large Language Models (LLM) estão a abrir novas possibilidades para quem trabalha em comunicação. O GEO nasce desta evolução e abre um novo espaço de inovação e oportunidade para a comunicação.
O Generative Engine Optimization (GEO) corresponde ao conjunto de práticas destinadas a aumentar a probabilidade de conteúdos, marcas, organizações ou especialistas serem utilizados como referência de forma consistente nas respostas geradas por ferramentas de IA.
A lógica destes mecanismos generativos passa por agregar e resumir informação de várias fontes. Para os utilizadores, isso significa respostas mais rápidas e menos esforço de análise. Para as marcas, significa um reconhecimento evidente e assegura que a visibilidade passa a depender da seleção que a IA faz.
Com os motores de pesquisa a apresentarem já respostas diretas geradas por IA, ganha destaque o fenómeno zero-click: o utilizador obtém a informação de que precisa sem clicar numa ligação nem consultar o conteúdo original. Como consequência, o clique perde centralidade.
Isto não quer dizer que o SEO deixe de ser relevante, mas que o GEO chega para o complementar:
Os dados do estudo anual do Reuters Institute dizem-nos que 62% das pessoas sentem-se preocupadas com o impacto da desinformação e das notícias falsas. Ou seja, para se informarem procuram fontes credíveis e validadas de informação, tipicamente os mais (re)conhecidos órgãos de comunicação social nacionais. Do lado da pesquisa e acesso, a Muck Rack indica que 84% dos links citados em respostas de IA vêm de earned media, e cerca de 20 meios representam metade das citações de uma marca. Ou seja, a IA constrói as suas respostas a partir daquilo que os media, os especialistas e as instituições dizem sobre as marcas. Neste contexto, a credibilidade de um especialista ganha uma especial relevância, e as empresas podem assumir aqui um papel relevante.
Por isso, uma marca que publica muito, mas de forma dispersa, perde para outra que trabalha um território com consistência, em media especializados e com uma narrativa coerente. O desafio deixa de ser comunicar mais: é conquistar um território e construir autoridade dentro dele.
Antes de utilizar e citar um conteúdo, os LLM avaliam três coisas:
A probabilidade de citação é maior quando os três critérios se reúnem. Nenhum deles depende de um truque técnico: todos dependem de reputação, mensagem e presença mediática.
O GEO exige uma visão integrada da comunicação, em que media relations, conteúdos, redes sociais, reputação e dados trabalham de forma articulada. Esta nova dimensão conjuga a relevância jornalística e mediática, a autoridade reputacional e a influência generativa. Na prática, destacam-se quatro ideias:
O GEO aproxima áreas que, por vezes, ainda trabalham separadas. Já não chega ter bons resultados em cada uma: é a consistência entre todas que determina se a marca aparece, e como aparece, nas respostas de IA.
Exige também uma nova leitura dos dados: perceber em que respostas a marca surge, em que contexto, com que fontes e com que tom, e como compara com a concorrência. Os números, sozinhos, não dizem o que fazer. É preciso interpretá-los à luz da estratégia e do posicionamento da marca.
O GEO não é uma tática isolada. É uma dimensão de uma estratégia de comunicação integrada.
Mais do que adaptar a comunicação ao GEO, trata-se de o integrar numa visão mais ampla da comunicação das marcas. É nesta leitura que a experiência em comunicação faz a diferença: perceber que fontes contam, como se constrói uma narrativa consistente e o que os dados dizem sobre o posicionamento de cada marca.